Rota dos 20 Castelos – Uma viagem ao passado – Parte II

Como prometido, apresentamos a continuação do artigo anterior com a restante rota dos 20 castelos. Ora veja:

11. PINHEL

Situa-se no meio urbano e tem perímetro muralhado, envolvendo toda a colina e centro histórico. As Torres da Cidadela encontram-se no ponto mais alto e planáltico. O início da edificação acontece em 1189, por D. Sancho I, dez anos após ter Pinhel recebido de D. Afonso Henriques a carta de foral. No reinado de D. Dinis edificaram-se as torres e em 1640, procede-se a obras de fortificação no contexto das Guerras de Restauração. Em 1810, durante as
Invasões Francesas, o general Loisson ocupa o castelo e a cidade de Pinhel. A tipologia do castelo é Manuelina, de planta oval. A cidadela tem Torre de Menagem e Torre Secundária. Os elementos manuelinos visíveis são a janela mainelada com arcos e toros entrelaçados; a janela de lintel recto e moldura de meia-coroa. O perímetro urbano muralhado integra seis portas, duas torres defensivas e o recinto da Cidadela, de cuja cintura muralhada subsistem dois troços que integram duas torres.

Pinhel, Guarda – Portugal

12. CASTELO RODRIGO

Situa-se a 810m de altitude, num cabeço fortificado e as suas muralhas envolvem a aldeia histórica. Domina a planície sobranceira ao convento de Santa Maria de Aguiar e é atual sede do concelho. Confronta a Oeste, com a Serra da Marofa e a Serra da Vieira. O primitivo castelo remonta ao séc. XI e em 1209, recebe carta de foral por D. Afonso IX de Leão. Em 1296, D. Dinis ordena a reedificação da fortaleza e muralha. Oficialmente e por via do Tratado de Alcañices, passa a integrar o território português, em 1297. Durante a crise de 1383-85, na sequência
do facto do alcaide-mor ter jurado fidelidade a D. Beatriz e ter recusado a entrada do Mestre de Avis, resultou a imposição do escudo nacional invertido no brasão da vila. Em 1590, durante o domínio espanhol, D. Filipe I eleva a Vila a condado e nomeia para o título D. Cristóvão de Moura que, no lugar da antiga alcáçova, manda erigir um palácio residencial. Em 1640, com a restauração da independência, este palácio é incendiado por iniciativa popular. Em 1664, dá-se o cerco da Vila pelo exército espanhol comandado pelo Duque de Ossuna, vencido na Batalha da Salgadela e em 1762, durante a Guerra dos Sete Anos, Castelo Rodrigo é ocupada pelas tropas espanholas do Marquês de Soria. O recinto muralhado é de traçado irregular ovalado e possui três Portas (Sol, Alverca e Traição).

Castelo Rodrigo, Guarda – Portugal

13. TRANCOSO

A 885m de altitude, situa-se uma cerca muralhada urbana implantada em zona planáltica. Engloba o centro histórico da vila de Trancoso. A Cidadela está isolada a Nordeste sendo antecedida por um pequeno largo com cruzeiro. Em 1097, Trancoso passa para o Condado Portucalense e em 1159 está comprovada a existência do castelo. No ano seguinte este é definitivamente reconquistado por D. Afonso Henriques que lhe concede foral. Em 1282 é reedificado por D. Dinis que faz construir a cerca muralhada. As torres do lado Norte desta cerca datam de 1530. É de tipo românico-gótico e tem cerca e cidadela, ambas de traçado oval irregular. A Torre de Menagem é tronco-piramidal de planta quadrada com pedras dentadas encastrando-se umas nas outras. Tem quatro portas e três postigos: Portas d’El-Rei, a Sudoeste; Portas do Prado, a Noroeste; Portas do Carvalho (do Cavalo ou de João Tição) e da Traição, a Norte. Os Postigos de Olhinho do Sol, a Este, e o do Boeirinho, a Noroeste. Integra quatro torres sendo três a Oeste e uma a Norte. A Cidadela integra sete torres.

Trancoso, Guarda – Portugal

14. CELORICO DA BEIRA

Situa-se a 550m de altitude sobranceiro à Vila e dominando o vale do Mondego. Daí podem ver-se os castelos de Trancoso e da Guarda. Foi conquistado aos mouros no reinado de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, recebendo aí carta de foral. As obras, então decorrentes no castelo, tiveram a participação dos Templários. Em 1198 é cercado pelos leoneses e recebe socorro de Linhares. O castelo é reedificado nos reinados de D. Dinis e D. Fernando. Em 1762 é assaltado por espanhóis e em 1810 é quartel-general dos exércitos francês e luso-britânico, aquando das Invasões Francesas. É um castelo de arquitetura militar, de montanha e românico-gótico. Apresenta recinto muralhado fechado, de traçado circular irregular, correspondendo à Cidadela.

Celorico da Beira, Guarda – Portugal

15. LINHARES

Situa-se num cabeço em contraforte, a Noroeste da Serra da Estrela, a cerca de 820m de altitude, dominando o vale do Mondego. Foi provável a fundação do castelo pelos Túrdulos, cerca de 580 a.C., passando posteriormente por Visigodos, Romanos e tendo sido destruído pelos Mouros no séc. VIII. Em 900, foi reconquistado e reconstruído por D. Afonso III de Leão e, posteriormente, reedificado por D. Dinis. No séc. XVII, foi feita a instalação do relógio na torre. É um castelo românico e gótico de planta irregular, constituído por dois recintos muralhados fechados. As muralhas assentam em maciços rochosos. O recinto do lado Oeste, de maior perímetro, corresponde à cidadela. Apresenta duas torres: a Torre de Menagem e a Torre do Relógio, a Este.

Linhares, Guarda – Portugal

16. AVÔ

Situa-se no alto do monte onde se desenvolve a povoação, na margem do rio Alva. Atualmente, subsistem alguns panos da muralha. O recinto tem cerca de 1800m2. A primeira fortaleza medieval foi mandada edificar por D. Afonso Henriques, depois mesmo do pai, conde D. Henrique, ter doado Avó ao Bispo de Coimbra. D. Sancho I concede-lhe foral em 1187, confirmando essa doação. Nas lutas entre D. Sancho II e D. Afonso III, o castelo é destruído, vindo a ser recuperado por D. Dinis, reinado de que datam os atuais vestígios. A partir de 1856,
acelera-se a destruição do castelo, tendo muitas cantarias sido usadas na ponte da Ribeira de Moura e em obras particulares. A tipologia é gótica-militar. O recinto de forma irregular. A capela de S. Miguel, é um aproveitamento de um edifício medieval.

Avô, Coimbra – Portugal

17. CASTELO NOVO

Situa-se na encosta leste da Serra da Gardunha, a 650m de altitude. Em 1223 já existia o castelo, como se comprova pelo testemunho de D. Pedro Guterri. No séc. XIV, D. Dinis manda remodelar a fortificação e em 1510, é de novo melhorada por D. Manuel. Em 1740 está quase na ruína e em 1758, sofre derrocada devido a um sismo. O castelo é de arquitetura militar, gótica e manuelina e era pólo militar de povoação (hoje Castelo Novo é uma das dez Aldeias Históricas de Portugal). Tinha planta longitudinal, irregular. É possível perceber a Cidadela, com duas portas (Este e Oeste). A Torre de Menagem encontra-se praticamente destruída no topo Oeste. No troço de muralha Oeste ainda existem adarves, ameias e merlões em bom estado de conservação.

Castelo Novo, Fundão – Portugal

18. MONSANTO

Num monte, a 758m de altitude, na margem direita do rio Ponsul, encontra-se o castelo de Monsanto. Integra a Aldeia Histórica e domina as planícies que se estendem desde a Serra da Gardunha. Após existência castreja, Monsanto tem ocupação visigótica do séc. V ao XI. Em 1165, há uma tentativa de repovoamento e a doação a D. Gualdim Pais, Mestre dos Templários, por D. Afonso Henriques. Em 1172, é doada à Ordem de Santiago e dois anos depois recebe carta de foral. Nessa data já existe o castelo. Em 1190, o foral é confirmado por D. Sancho I.
Nos reinados de D. Dinis, D. Fernando e D. João I o castelo é renovado. No século XVI possuía quatro Torres, Torre de Menagem e Cisterna. Em 1704, é cercado pelo exército franco-espanhol e libertado pelo Marquês de Minas. Na segunda metade do séc. XVIII, a cerca muralhada é reconstruída pelo conde de Lippe. Em 1853, é extinto o concelho de Monsanto. Tem uma arquitetura militar com três recintos muralhados, um recinto englobante de traçado ovalado; um outro, lateral, de traçado oblongo e o terceiro, interior, retangular.

Monsanto, Idanha-a-Nova – Portugal

19. PENHA GARCIA

O castelo localiza-se na encosta Sul da serra do mesmo nome. Em 1220, D. Afonso II reconquista a povoação e, de
seguida, faz doação da mesma à Ordem de Santiago. Penha Garcia recebe carta de foral por D. Afonso III em 1256 e verifica-se uma hipotética doação à Ordem de Santiago após a reconstrução das fortificações por D. Dinis. Em 1836 extingue-se o concelho e inicia-se um processo de degradação. Este castelo encontra-se sobranceiro ao vale do rio Pônsul numa posição majestática. Em 1303 D. Dinis manda reconstruir as fortificações e, em 1510 recebe novo foral de D. Manuel I. Antiga fortaleza, Penha Garcia foi até finais do séc. XVIII, couto de homiziados (1790).

Penha Garcia, Idanha-a-Nova – Portugal

20. PENAMACOR

Situa-se a 573m de altitude num cabeço fortificado entre as ribeiras de Ceife e de Taliscas. A cerca urbana integra a Torre do Relógio e a Casa da Câmara. A Torre de Vigia está isolada num outeiro rochoso. A construção do castelo e o povoamento de Penamacor resultam, provavelmente, de 1189, data da doação a D. Gualdim Pais, Mestre da
Ordem do Templo. Em 1199 recebe carta de foral por D. Sancho I. Em 1300 acontece a construção da segunda cintura muralhada do castelo, da Torre de Menagem e da cerca urbana por D. Dinis. A construção da barbacã e reconstrução do castelo devem-se a D. Fernando e D. João I. A Casa da Câmara é edificada em 1568 sobre a porta de acesso à Vila. Contíguos a esta Casa da Câmara existem no lado Norte, um baluarte com cortinas escarpadas e que integra duas canhoneiras; no lado Sul, um baluarte parcialmente integrado em afloramento rochoso junto ao antigo Convento de Santo António; os baluartes conhecidos como Reduto da Cavaleira (a Norte) e do Outeiro (a Oeste).

Penamacor, Castelo Branco – Portugal

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